segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Seja Bem-Vindo 2013

No último dia do ano pensei em fazer uma postagem especial para tal data, acabou que não me veio nenhuma ideia à cabeça, tudo parecia insuficiente para englobar todos os marcadores que com tanto carinho preenchi ao longo do ano, dessa forma, resolvi apenas dar um "adeus" diferente a 2012, para tanto sintonizei a trilha sonora de "Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain", minha fonte eterna de inspiração. Esse ano que acaba não foi de todo especial, teve seus altos e baixos, acredito que o que, na verdade, torna um ano realmente bom é a própria pessoa, quando aproveitamos as oportunidades, lutamos e vamos atrás do que almejamos aí sim o ano será inesquecível, culpar o próprio ano pelo insucesso é sinal de fracasso pessoal. Foi nesse pensamento que consegui a oportunidade de abrir meu blog, me engajar mais ainda no movimento estudantil, me empenhar nas minhas atividades diárias e, acima de tudo, estar rodeada de pessoas que tanto amo. Fiz dos filmes a minha inspiração, das músicas a trilha sonora dos bons e maus momentos, os vlogs meus momentos de divertimento, enfrentar câmeras não foi fácil para a menina envergonhada que se escondia por trás da literatura. Pois bem. Que em 2013, as sombras continuem a aparecer, que as notícias sejam favoráveis, que o sucesso permaneça, que as conquistas sejam ainda maiores. Que em 2013 sejamos destemidos, guerreiros, que lutemos com garra, de forma honrosa e justa. Que em 2013 nossas cabeças continuem erguidas, que não tenhamos vergonha das nossas atitudes, que sejamos pessoas melhores, admiráveis. Que em 2013 as novidades sejam constantes. Que em 2013 diversos outros filmes, músicas, literatura e vlogs de qualidade surjam, porque é disso que o mundo precisa: cultura e esperança. Seja Bem-Vindo 2013, esperamos por você.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sonho Cego

O pernambucano Daniel Finizola é um talentoso cantor e compositor da nova geração da Música Popular Brasileira (MPB), que agora em meados de 2012 lançou o seu álbum com exclusividade pela musicoteca, denominado Pincel de Som. "Sonho Cego" é apenas uma das suas músicas, que acabou ganhando a versão audiovisual, mas esse título descreve bastante o seu trabalho. Um cantor que abusa das cores, do lúdico, imagético, sem esquecer o toque regional que é marcante na sua voz e no toque da sanfona. Daniel nos desafia a sonhar, a desgrudar os pés do chão, largar as amarras e imaginar um mundo diferente daquele que estamos acostumados a ver e viver, com ele é bom colocar o fone de ouvido e parar para escutar cada letra e quando há a imagem como no clipe "Sonho Cego", é ainda mais gostoso de ouvir sua música. É com o Pincel que Finizola larga os malditos rótulos e delineia cada detalhe de suas músicas, melodias e letras, escutar o seu álbum é como ganhar um presente no Natal, a empolgação ao abri-lo é única, é contagiante. Para baixar o seu álbum é só acessar amusicoteca.

Clipe "Sonho Cego":


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Dexter


A série de TV americana que tem como personagem principal o seu próprio título, Dexter Morgan (interpretado pelo ator Michael C. Hall), que com um drama/suspense muito bem produzido conta a sua história, um serial killer que trabalha no departamento de polícia do Condado de Miami, como analista forense, especializado em padrões de dispersão de sangue. A narrativa é baseada em uma série de romances, em que a primeira temporada teve como base fundamental o livro Darkly Dreming Dexter. Recebendo adaptação para as telas com o roteirista James Manos Jr., hoje a série já consta com sete temporadas finalizadas. É até clichê falar, mas Dexter realmente é um assassino em série diferente dos demais, saindo dos padrões habituais, Morgan é sociável, amável, aparenta a todos ter uma vida estável, ser amigo, apesar de ser dominado constantemente pelo seu "passageiro sombrio", que é justamente o seu desejo insaciável de matar. Visto por muitos como um justiceiro, Dexter se sustenta em um código ensinado pelo seu pai adotivo: só mata assassinos e geralmente aqueles que a polícia não conseguiu trazer à Justiça; e diante de sua habilidade como analista forense sempre consegue esconder seus rastros. A história desse sociopata é altamente instigante, eletrizante e viciante. Vale muito a pena assistir.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Documentário: Portinari

Cândido Portinari ganha um documentário que retrata a sua biografia, que foi assunto na Revista Cult, por Guilherme Zanella:


"'Levei muitíssimos anos para compreender quem era aquela pessoa que estava na minha casa e que era o meu pai', diz João Cândido Portinari (1903-1962). A vida do pintor, ilustrador e muralista é revisitada, desde sua infância em Brodowski (SP) e sua evolução como artista, que o levou à morte por envenenamento pelas tintas que usava em suas letras, no documentário Portinari do Brasil (R$ 54,90, info.: www.livrariacultura.com.br), narrado pelo ator Herson Capri e lançado neste mês. "Mais de 95% da obra dele está inacessível à vista pública, em coleções particulares, salas de bancos e instituições privadas", lamenta João Cândido. "Hoje enxergo claramente que ele não deixou apenas uma obra de pintor, mas uma poderosíssima mensagem ética e humanista com valores que escorrem de cada tela", diz.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Globo e o Natal

A partir de hoje até o dia primeiro do próximo ano requer paciência para quem tem a globo como a primeira opção de emissora. O clima de esperança é lei. Tudo com o intuito de gerar aquela expectativa no telespectador  mas quem tem qualquer expectativa sobre a vida se passa noite de virada de ano em frente a TV e ainda mais assistindo a Globo? A maquina de manipulação em massa, manipula até nesses dias "santos", não perdoa a liberdade de ser feliz do pobre que só tem ela como opção. Aproveita para sugar a atenção com filmes penosos, shows mega populares e utilizam-se até do Rei "esse cara sou eu", que esse ano deu até pra cantar "ai se eu te pego". Quando assistimos tal programação, não tem como não imaginar uma vida melhor do que essa, é quando fazemos aquelas caducas promessas de fim de ano, quando juramos que o dia primeiro será o ponto inicial de uma nova vida, "vou aproveitar mais", "vou estudar mais", "vou me dedicar mais", são só promessas galera, quem quer faz, não precisa dizer, falar só serve para se frustrar, larguemos essas manias bobas, não nos deixemos levar por essa parte ruim do fim do ano. Em relação a " Globo", não se deixe levar pela programação de Natal, desligue a TV, compre um vinho nessa noite, esqueça do mundo, e lhe promova um Natal melhor.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Geração Fakebook

Legionários de Chico Buarque. Devotos de Cazuza. Aficionados em Bukowski. Apaixonados por Tim Burton. Fingidos da boa música. Do filme cool. Do livro de palavras difíceis. Curtidores de páginas estranhas. Com textos quase inacessíveis. Linguagem peculiar. Essa é a vida de pelo menos umas 90% das pessoas nas redes sociais (dados próprios). "Photoshopam" pessoas que não são, e falam o que não condiz com a sua personalidade para se passar de "legal" para o restante da sociedade. Na vida real gosta mesmo é do "ai se eu te pego", "até o chão, chão, chão", gostam mesmo é do estrago, como diz um certo barbudinho do Los Hermanos. O lance disso tudo não é que a pessoa seja falsa, ou esteja agindo de má-fé. Pelo contrário. Age para se agradar, massagear o ego, buscam aceitação, uma cadeira ao lado da elite (pseudo) intelectual, se é que existe, se é que vale a pena. Até entendo aqueles que estão escutando o sertanejo universitário no fone de ouvido e postando "Se entornaste a nossa sorte pelo chão, se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu". Mas olha como pegaria mal pros olhos preconceituosos da nossa sociedade casta dizer "gatinha assanhada, você tá querendo o quê?". A verdade é que poucos são aqueles que se aguentam em pé quando o som manda dançar até o chão. Que sejamos mais verdadeiros, a geração fakebook já teve o seu momento.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sombras: Dois Garotos e Uma Garota

Certa vez quando voltávamos do interior, minha irmã e eu, deparamo-nos com uma cena que chamou minha atenção, não sei se a dela também, mas na minha memória ficou marcada por algum motivo, desses que não se requer explicação.

Para encurtar a conversa e chegarmos logo aos fatos, digo que era um sábado por volta de meio dia. Desembarcamos na rodoviária, atravessamos duas ruas e logo estávamos na para de ônibus. A espera foi curta, logo passou o veículo que faria a linha por dentro do campus universitário deixando-nos em Neópolis.

Bem, logo ao subir dei com os olhos em uma turma de três meninos que ocupavam logo as primeiras cadeiras, dois garotos e uma garota. Aparentemente na minha faixa-etária, quinze, dezesseis anos. As roupas dos dois primeiros, sujas. As camisetas muito folgadas e compridas para o tamanho deles. A menina, de blusa de alça e short jeans.

Faziam uma algazarra sem tamanho entre eles, falavam alto como que querendo demarcar o território, deixando escapar umas gírias capengas e algumas expressões desconhecidas no meu universo fechado. Izabel e eu comentamos alguma coisa à respeito dos três, e trocamos olhares bem particulares a irmãos, mas não passou disso. Parece que as conveniências impostas por uma sociedade cheia de politicagens impediam de ir além, de levantarmos o rosto e encarar um deles nos olhos. Eles sentados não pela distância física, mas por um "apartheid" camuflado. O mesmo "apartheid" que separa até hoje os nossos mundos, que ironicamente estão contidos numa única cidade.

Dali a pouco, o ônibus parou num sinal e os três acenaram para o motorista, queriam descer. Esse, num gesto que inspirava total sinceridade recomendou:

- Cuidado com as motos quando descerem!

E os meninos com um sorriso meio constrangido balançavam as cabeças, positivamente, e com palavras que me pareceram igualmente sinceras, agradeceram com uma série de "obrigado, obrigado" ao condutor. As portas se abriram e eles desceram. Acompanhei-os com os olhos até perder de vista e fiquei remoendo comigo um punhado de pensamentos.

Na certa os garotos não pagaram as passagens, por isso os agradecimentos, ponto para o motorista que permitiu que eles subissem e em momento algum - ao menos enquanto estávamos ali - tratou-os diferentes. Embarcaram de graça em algum lugar, para descerem num sinal. Era a mesma gratuidade de uma vida oposta a minha. Era de graça como a sujeição contida no olhar resignado dos três.

Esse texto foi enviado por Guilherme Henrique Cavalcante ao meu e-mail.

A Lista dos Mais Vendidos

Por Márcia Tiburi

Na capa de um livro da classe de escrita denominada "autoajuda" encontramos a seguinte informação: "mais de 50 milhões de livros vendidos em 50 países". A explicação numerária está curiosamente sob o nome do autor, bem no topo da capa, antes mesmo do título que, logo abaixo, parece ser relativamente menos importante do que os números que aparecem acima dele. Livros em geral, clássicos ou não, não trazem explicações dessa natureza que venham, como esta, sublinhar o nome do autor. Verdade é que os escritores são valorizados por motivos estéticos e políticos que também podem representar algum tipo de capital. Mas justamente por implicarem outros valores não precisam apelas à quantidade vendida aqui ou acolá para despertar o desejo de compra. 

Neste caso exemplar, o nome do autor está relacionado a uma quantidade, coisa que a explicação deixa claro. Trata-se de um best-seller, um livro muito vendido. Mas por que esta informação precisa estar em destaque? Pelo mesmo motivo que jornais publicam listas de "mais vendidos". E o que realmente importa nos chamados "mais vendidos"? É redundante, mas necessário se dizer que os "mais vendidos" vendem mais. Que sejam lidos, ou não, é questão que não importa. Os mais vendidos não despertam o desejo de ler, mas o de comprar o que talvez até possa vir a ser lido.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Para Sempre, Phillip Long

Na última vez (precisamente em 11 de agosto de 2012) que foi falado sobre Phillip Long no blog, ele estava lançando o seu terceiro álbum, prestes a colocar o quarto à disposição dos folkistas. Agora, em meados de dezembro, o impulsivo cantor lança o seu quinto trabalho "Sobre Estar Vivo", perfazendo o quinto disco em apenas um ano, sendo o seu primeiro em português, saindo das amarras do seu idioma materno - o inglês. Em relação a sua inspiração para o mais novo trabalho, Long fala para a musicoteca "O fato de eu estar apaixonado, caminhando com esta mulher que sinto conhecer há milênios me rendeu novas formas de percepção do mundo e, sim, influenciou bastante a minha música. Não sei ao certo se chegou a influenciar o fato de parir canções em português. Mas como tudo está conectado e o universo é sábio e sabe o que faz, acredito que deva ter um papel importante nessa escolha". Apesar da grande quantidade de produção do cantor, o que mais me admira é que a qualidade permanece intacta, tempos atrás escrevi no blog que preferia que o artista passasse anos para produzir um álbum, mas que saísse qualificado para estar no mercado, com Long é diferente, porque ele alcança essa qualidade em instantes, o seu poder criativo é inimaginável, sempre surpreende. É complexo entender, mas é gostoso de escutar, Phillip Long.

Reveja: O Folk de Phillip Long

Baixe o novo álbum: Sobre Estar Vivo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Barba Ensopada de Sangue

O escritor Daniel Galera, um dos mais consagrados escritores brasileiros da contemporaneidade, nasceu em São Paulo, em 13 de julho de 1979. É marcado como um dos primeiros a misturar a internet com a literatura, em 1997. Além das diversas obras traduzidas, já publicou cinco livros, o primeiro Dentes Guardados (2001), Mãos de Cavalo (2006), logo após publicou Até o dia em que o cão morreu (2007), Cordilheira (2008) e, por último, Barba Ensopada de Sangue. O seu último livro, tendo sido publicado esse ano, foi foco de diversas críticas, sejam boas ou ruins. Pois bem, "Barba" como é muitas vezes retratado, traz uma linha diferente das suas prosas anteriores, dessa vez a sua linguagem recebe uma nova roupagem, ele "incha" a obra de coisas supérfluas, que de primeira qualquer um descartaria, mas ao analisar melhor observamos que cada trecho é importante para a identidade e o desleixar do romance. Sobre a narrativa "O romance abraça três caminhos:o investigativo, em que o protagonista busca resposta para o desaparecimento do corpo do avô; o intimista, que tenta desvendar a mente alheia e fugidia do protagonista, revelada conforme ele encontra outros personagens; e o da narrativa de costumes, em que o cotidiano da cidade, com seu tempo moroso, é dissecado" (BRAVO! - Dezembro, 2012). Por fim, apesar da escrita ainda estar sujeita a aperfeiçoar, Galera está se destacando na literatura brasileira contemporânea, não há como nega, dito isso, vale a pena dar uma conferida.